CELEBRANDO A RESSURREIÇÃO!

Tem muita coisa morrendo nos seres humanos! A cada segundo nosso organismo sofre processos de morte. A visão embaça, os cabelos caem, os músculos perdem resistência, as articulações perdem mobilidade. Por vezes até dá para desconfiar de que a morte disfarçou-se de relógio ou de calendário para trabalhar silenciosamente sem ser importunada e assim ir matando o corpo aos poucos.

Contudo, se prestarmos atenção vamos constatar que tem mais coisa morrendo nos homens do que o seu corpo. A “morte” não mata só corpos. A “morte” mata relacionamentos. A “morte” mata afetos. A “morte” mata a autoestima equilibrada. A “morte” mata prazeres legítimos. A “morte” mata vocações profissionais. A “morte” mata sem necessariamente fazer o corpo morrer. A “morte” tem o poder de matar sem interromper a existência física. Nas Escrituras a “morte” é mais do que um fato físico, é uma realidade existencial e espiritual (Ef 2.1).

Ao proibir o homem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, Deus deixou um alerta: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Quando Adão comeu do fruto proibido, a morte não permitiu nem mesmo que ele sentisse o sabor do fruto.  Imediatamente e existencialmente Adão conheceu o gosto amargo da “morte”, morte que não o matou fisicamente de imediato, mas o matou em sua relação consigo mesmo, com sua mulher (o seu próximo) e com Deus. Podemos dizer que a primeira experiência de morte de Adão não foi a física. Antes de perceberem que estava morrendo fisicamente, homem e mulher percebem o assombrar da morte no encontro humano constrangedor entre os dois e no encontro espiritual aterrorizante deles com Deus. A vergonha do próximo e o medo de encontrar-se com Deus eram na verdade sintomas de uma “enfermidade” chamada morte que diz respeito a quebra da comunhão entre o homem e Deus. Esta separação desencadeou processos de morte que um dia matariam o corpo, mas a morte também estava matando homem e mulher em suas expressões humanas.

Graças a Deus que pela ressurreição de Jesus Cristo a morte, tanto física quanto espiritual, está sendo tragada (1ªCo 15.54). A ressurreição de Jesus representou a morte da morte. Se na queda os homens iniciaram processos de morte, no domingo da ressurreição foi a vez da morte começar a morrer para que os homens pudessem viver plenamente. A morte está em seus últimos dias de vida, pois aguardamos nosso corpo ser revestido de incorruptibilidade. Contudo, já experimentamos o poder da ressurreição que atua na existência humana. Temos visto pessoas lançando fora o medo e sendo reconciliadas com Deus. Temos experimentado a ressurreição de nossos afetos, de nossos relacionamentos, de nossas vocações, de nossos prazeres legítimos.

A morte tem matado mais que o corpo nos seres humanos, mas a ressurreição de Jesus Cristo decretou a morte da morte e tem promovido plena redenção para os homens. Aleluia!!


Rev. Wagner Barros Marques

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